Período de execução previsto: 01/03/2016 até 31/12/2016

 

Familia - Constelação Sistêmica

Público alvo:

O “Família -­‐ Constelação Sistêmica” é destinado atender grupos familiares dos adolescentes citados como em situação de risco e que já demonstraram uma inclinação à prática infracional.

Seguem abaixo, breves indicadores sociais que caracterizam o panorama familiar dos jovens atendidos pelo NAIS (Fonte NAIS: Junho/2015):

 

     

 

Os dados apresentados sinalizam que apenas 7% das famílias apresentam na estrutura nuclear (pai e mãe), sendo que, 71% a responsabilidade compete à família monoparental (mãe), sendo esta a provedora do lar e 57% destas mães, ainda não concluíram o ensino fundamental e, portanto 46% dessas famílias tem renda percapta de até R$ 400,00 (quatrocentos reais), sendo que 68% dessas famílias residem nas zonas norte (43%) e oeste (25%), isto é, as que concentram maior vulnerabilidade.

 

 

Número de Beneficiários direitos:

Pelo menos 50 grupos familiares e/ou até 100 indivíduos do núcleo familiar dos adolescentes.

Número de Beneficiários Indiretos:

• 150 familiares;

Execução do Projeto:

​CLUBE do NAIS – NÚCLEO DE ACOLHIMENTO INTEGRADO DE SOROCABA

Av. Comendador Pereira Inácio, nº 2239

Vergueiro – Sorocaba/SP – CEP 18030-­‐005

(15) 3331-­‐2827

Profissionais envolvidos no projeto:

• Psicólogos

 

OBJETIVO GERAL :

Proporcionar o fortalecimentos dos vínculos familiares de adolescentes em pré-­‐medida ou em cumprimento de medida socioeducativa em meio aberto atendidos pelo Clube do NAIS citados como autores infracionais e suas famílias, promovendo a sua co-­‐responsabilização e aquisição de recursos pessoais e emocionais para a superação de suas fragilidades e situações de vulnerabilidade.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS :

1. Proporcionar momentos de escuta qualificada, acolhimento individual para fortalecimento dos vínculos das famílias de 60 adolescentes e 60 integrantes dos núcleos familiares atendidos pelo Clube do NAIS por meio da intervenção breve.

2. Oferecer atendimento através de manejos coletivos sistêmicos para as famílias dos adolescentes atendidos pelo Clube do NAIS.

 

DIAGNÓSTICO :

Como perfil familiar dos adolescentes atendidos, observamos que a mãe é a cuidadora responsável pelo adolescente atendido e, muitas vezes, a mesma é a única responsável e “chefe de família”, acumulando responsabilidade econômica, educativa e afetiva de seus filhos.

Notamos ainda, que o cuidador apresenta diversas dificuldades e problemáticas (problemas emocionais, depressão, sentimentos de impotência e limitação), conforme pode ser visto nos gráficos mais adiante, que podem interferir negativamente no resultado das intervenções realizadas com os adolescentes. Nessas famílias atendidas, 14% dos familiares estão ou já passaram pelo sistema prisional e por isso é necessário quebrar esse ciclo da marginalidade e exclusão que se repete nas famílias desses adolescentes.

Hoje, o atendimento realizado é focado nas intervenções para o atendimento do judiciário e entendemos que para sucesso do programa há uma forte demanda de intervenções terapêuticas individualizadas e coletivas tanto do adolescente quanto do seu responsável a fim de identificar e tratar possíveis causas e motivações do envolvimento no ato infracional.

Conforme o fluxo de encaminhamento, os adolescentes deveriam ser atendidos pelos CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) no município, entretanto, a demanda é alta e a espera por atendimento é muito longa, o que não condiz com o SINASE no que diz respeito à intervenção imediata mediante o ato infracional praticado.

É importante ressaltar que existe uma demanda por atendimento individualizado além dos manejos terapêuticos coletivos e, por questões terapêuticas, a diversidade de profissionais para atender membros de uma mesma família.

O trabalho com as famílias é o diferencial oferecido pelo CLUBE do NAIS no atendimento de adolescentes em pré-­‐medida ou em cumprimento de medida socioeducativa em meio aberto. De 2007 a 2014 o adolescente e seu responsável passavam pelo atendimento psicossocial com técnicos (assistente social e psicólogo).Em 2014, com o incremento dos atendimentos às medidas socioeducativas, o atendimento passou a ser realizado por um orientador social. No último ano o projeto atendeu um universo de aproximadamente 54 famílias mensalmente, porém existe uma ampla lista de espera, pois os novos atendimentos mensais a adolescentes são acima de 150, e por isso, pretende-­‐se aumentar o volume de atendimentos, qualificar o serviço com 2 psicólogos a fim de ampliar o número de famílias beneficiadas, elevar a qualidade do atendimento e assim oferecer mais recursos para que adolescente e família obtenham êxito em seu projeto de vida.

 

JUSTIFICATIVA 

Este projeto tem como propósito oferecer instrumentais e elementos para que as famílias dos adolescentes atendidos pelo Clube do NAIS possam conscientizar-­‐se sobre a responsabilidade familiar sobre o ato infracional cometido e possam fortalecer-­‐se em atitudes mais positivas com relação as escolhas e condutas futuras. Também, conforme previsto na resolução 109 – Tipificação dos Serviços Socioassistenciais, este projeto visa oferecer um serviço realizado em grupos, organizado a partir de percursos, de modo a garantir aquisições progressivas aos seus usuários, de acordo com o seu ciclo de vida, a fim de complementar o trabalho social com famílias e prevenir a ocorrência de situações de risco social. Além disso, deve atuar na forma de intervenção social planejada que cria situações desafiadoras, estimula e orienta os usuários na construção e reconstrução de suas histórias e vivências individuais e coletivas, na família e no território. Conscientes que a família é célula do organismo social que fundamenta uma sociedade, assim sendo, devemos assegurar um forte investimento nesta prática e superar os desarranjos e enfraquecimentos dos vínculos familiares que se apresentam em grande parte das famílias dos adolescentes atendidos.

Analisando as inúmeras mudanças das expressões da questão social nos tempos atuais e que tem seu reflexo na família e na sociedade de forma geral, bem como, compreendendo o estabelecido pela Constituição Federal, no artigo 227: “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de coloca-­‐los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.”, nos lançamos ao desafio de propor o investimento em ações compartilhadas e mais integradas formando uma rede ampla na proteção.

A ideia do NAIS surgiu com o propósito de evitar que adolescentes, já uma vez envolvidos em ocorrência infracional como supostos autores, não tornassem a infracionar. A demora no processamento dos casos, até que se chegasse a eventual aplicação ou não de medida socioeducativa era, segundo o diagnóstico realizado, condição propícia para a reiteração​de crimes, bem como a não participação de familiares e responsáveis no processo de aplicação da medida socioeducativa.

Assim, a prática da intervenção junto às famílias, também pode se prolongar na tentativa de viabilizar alternativas para neutralizar ao máximo as perspectivas a nova incidência infracional. Consideramos para esta análise, operacionalização diagnóstica a respeito dos vínculos afetivos e encargos familiares que o jovem em movimento infracional que comparecem ao NAIS dispõe frente a sua dinâmica familiar.

Como a liberação do adolescente pela Delegacia de Polícia está atrelada a seu responsável e identificando que, entre outros aspectos, a qualidade das famílias procedentes a este espaço de acolhimento, compreende-­‐se a urgência de ações voltadas no fortalecimento de vínculos familiares e repasses socioeducacional como ação empreendida ao cumprimento estabelecido pela Constituição Federal e ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, no desenvolvimento de mecanismos destinados a estruturar ações que visem otimizar as relações protetivas ao jovem vulnerável.

 

ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS NO PROJETO

ATIVIDADE METODOLOGIA
1.1 Atendimento individualizado a adolescentes envolvidos em atos infracionais.

-­ Atendimento com abordagem na teoria sistêmica de constelação familiar, com possibilidade e estímulo a fala de todos os membros da família a cerca de seu papel familiar, suas dificuldades e desafios.

­‐ Durante este atendimento são identificados contextos impossibilitantes do fortalecimento do vínculo familiar e são realizadas propostas pontuais e concretas de mudança pelos técnicos a serem avaliadas durante os demais encontros.

­‐ Pode haver em média 4 encontros (de uma hora) de atendimento sistêmico, podendo este número variar de acordo com a demanda familiar apresentada.

Constelação Familiar é um método terapêutico eficaz e poderoso que visa identificar emaranhamentos familiares profundos que estão trazendo situações problemáticas na vida de uma pessoa, muitas vezes sem esta ter consciência do que está impedindo a de ter êxito e equilíbrio em determinadas situações.

Durante os atendimentos aos adolescentes pelo psicólogo, pode ser necessária a prevenção e orientação sobre drogas e encaminhamento a rede de serviços se necessário.

Consideramos a metodologia utilizada como projeto inovador em relação aos programa de trabalho da organização.

1.2 Atendimento individualizado ao responsável pelo adolescente (familiar).

­‐ Atendimento individual para levantamento da demanda e situação familiar junto ao responsável pelo adolescente e identificadas as dificuldades e situações geradoras de situações de vulnerabilidade.

­‐ Durante o programa podem haver em média 4 a 6 encontros para atendimento individual do responsável, podendo este número variar de acordo com a demanda familiar apresentada. 

 Serão priorizadas as famílias em maior vulnerabilidade social, sobretudo aquelas que se encontram na zona norte e oeste de Sorocaba (consideradas atendimento de regiões de alta vulnerabilidade social).

2.1 Manejos sistêmicos com adolescentes e familiares.

Através de encontros coletivos entre adolescentes e familiares onde podem se informar sobre temas de interesse de ambos.

- Palestras e rodas de conversa que abordam temas diversos de interesse das famílias atendidas pelo projeto que servem de meio de informação de assuntos importantes como Saúde, Educação, Assistência Social, Família e Sócio Educação e também funcionam, através da problematização, como estímulo à discussão e esclarecimento de temas de interesse de toda a família.

­‐ Encontros mensais realizados no período noturno para estimular a participação de todos os membros da família

 

MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO

A efetividade dos resultados do projeto serão monitorados das seguintes formas:

1 – Os objetivos relacionados a avaliação psicológica, serão monitoradas pela equipe de psicólogos disponíveis no programa. Esses profissionais, farão a validação do diagóstico apontado e as intervenções terapêuticas realizadas, ofertando supervisão ao profissional interventor. Toda a evolução será alimentada no Bando de Dados da FAI (Ficha de Acolhimento individual).

2 – O acompanhamento financeiro do projeto será de responsabilidade do coordenador de projetos, que vai elaborar as planilhas de receitas e despesas visando adequar o projeto aos recursos disponíveis. Esse profissional também são os responsáveis pela prestação de conta do projeto.

3 – Os objetivos específicos e atividades do projeto serão monitorados de acordo com o quadro abaixo:​

OBJETIVO ATIVIDADE INDICADORES MEIOS DE VERIFICAÇÃO
1 1.1 Atendimento individualizado a adolescentes envolvidos em atos infracionais. -­‐ Nº de atendimentos individais; -­‐ Nº de famílias participantes do projeto; -­‐ Nº de encaminhamentos realizados pela equipe; -­‐ Grau de satisfação com o atendimento individual; -­‐ Relatório de atendimentos do projeto; -­‐ Relatório de encaminhamentos realizados; -­‐ Pesquisa de satisfação com as famílias;
1 1.2 Atendimento individualizado ao responsável pelo adolescente (familiar).

-­Nº de famílias atendidas; -

‐ Nº de familiares atendidos; -

‐ Nº de atendimentos realizados;

Grau de satisfação com o atendimento familiar; 

‐ Melhora nas relações familiares;

Relatório de atendimentos;

­‐ Pesquisa de satisfação com as famílias;

­‐ Relatório de acompanhamento das famílias;

2 2.1 Manejos sistêmicos com adolescentes e familiares.

-­Nº de familias participantes; -

‐ Nº de pessoas participantes dos encontros; -

‐ Grau de participação das famílias nos encontros;

-Grau de satisfação com os encontros.

‐ Lista de presença nos encontros; ‐ Pesquisa de satisfação com as famílias participantes.

 

 

RESULTADOS E IMPACTOS ESPERADOS 

OBJETIVO ATIVIDADE RESULTADOS ESPERADOS IMPACTO ESPERADO
1 1.1 Atendimento individualizado a adolescentes envolvidos em atos infracionais.

-­‐ Membros da família cientes de seu papel familiar;

‐ Membros da família escutados e acolhidos em suas questões e dificuldades;

‐ Família apta a enfrentar em conjunto as implicações do envolvimento do adolescente no ato infracional.

­‐ Família preparada para o cumprimento da medida socioeducativa.

‐ Vínculos familiares fortalecidos;

­‐ Família mais unida na resolução de seus desafios e dificuldades;

­‐ Quebrar o ciclo de vulnerabilidade no qual se encontram essas famílias;

­‐ Diminuição do nº de adolescentes reincidentes no ato infracional;

­‐ Diminuição do nº de adolescentes do mesmo núcleo familiar envolvidos em ato infracional;

1 1.2 Atendimento individualizado ao responsável pelo adolescente (familiar).

-­Responsável acolhido e escutado a cerca de suas demandas e dificuldades; 

-Famílias orientadas sobre suas dúvidas e dificuldades;

-Famílias encaminhadas aos serviços correspondentes;

‐ Maior grau de co

­‐ responsabilização entre o responsável e as escolhas do adolescente.

‐ Quebrar o ciclo de vulnerabilidade no qual se encontram essas famílias;

2 2.1 Manejos sistêmicos com adolescentes e familiares.

‐ Famílias informadas a cerca de temas de seu interesse;

­‐ Famílias mais preparadas para lidar com o adolescente envolvido em ato infracional;

‐ Famílias mais autônomas na resolução de suas dificuldades;

‐ Famílias estímuladas a mudanças de atitudes e comportamentos que levem a uma melhor qualidade de vida.

 

 

PARCERIAS

O projeto Clube do NAIS recebe um recurso anual de R$ 1.606.668,00 da Secretaria de Desenvolvimento Social (recursos municipais e estaduais) para atendimento mensal de 150 adolescentes em pré-­‐medida e 300 adolescentes em medida socioeducativa em meio aberto de Liberdade Assistida (LA) e Prestação de Serviços a Comunidade (PSC), ou seja, toda a demanda do município de Sorocaba, para realização das atividades oferecidas aos mesmos e manutenção de sua estrutura, entretanto, as atividades propostas neste projeto específico são um diferencial que queremos proporcionar aos resultados já alcançados pelo programa e não possuem até a presente data parceria econômica além da contrapartida da própria organização que cobriria os gastos com encargos sociais, taxas e impostos decorrentes da contratação de pessoas e movimentação bancária do projeto.

 

CONTINUIDADE/SUSTENTABILIDADE

Diante das realizações e dados apresentados, acreditamos que o NAIS e a FAI e os projetos que complementam suas atividades, como o caso deste projeto, tem cumprido seus objetivos desde sua implantação com tal êxito junto a todas as esferas desenvolvidas que temos a plena convicção que o mesmo pode servir como modelo para outros municípios que desejam implantar, conforme o SINASE, um NAI – Núcleo de Acolhimento Integrado.​

Diante do exposto acima, acreditamos que essa experiência – e nosso objetivo é sistematizar e publicar a metodologia, as fases desse processo de construção conjunta ocorrida no município de Sorocaba-­‐SP – vem a contribuir para o cumprimento ao Artigo 88 do ECA no seu inciso V e pode servir como boa prática para outros municípios que já vem se mostrando interessados nesse trabalho integrado para implementação dos NAI (Núcleo de Atendimento Integrado).

A partir da publicação dessa experiência e a avaliação desse projetos poderá vir a ser conveniente integrá-­‐los ao plano de trabalho anual e será estratégico pensarmos num processo mais amplo de disseminação e apoio para a implantação do NAIS em outros municípios do Brasil a partir da sistematização de nossas experiências e projetos para futura disseminação para outros municípios do Brasil, a começar pelo Estado de São Paulo.